Caneca e esmeril

Visitei recentemente o Museu Histórico e Geográfico de Campina Grande, localizado na Avenida Floriano Peixoto, no centro da cidade. Ele foi inaugurado em 1814 com a finalidade inicial de ser a primeira cadeia de Campina Grande, 24 anos depois de esta se tornar Vila, a Vila Nova da Rainha.

Essa função inicial de presídio foi motivo de um momento de emoção na visita. A cadeia da Vila Nova da Rainha serviu de “hospedagem” de presos trazidos do Ceará, durante a Confederação do Equador. Um dos presos era Frei Caneca que lá pernoitou antes de se dirigir para Recife, onde seria “julgado” e condenado à morte. Um documento relata as humilhações sofridas pelo frade carmelita por parte da polícia imperial e, também, os corajosos exemplos de solidariedade do povo paraibano para com esse ilustre lutador republicano.

Outro instante do passeio, diferente das tristes histórias do Frei Caneca, me provocou alegres recordações das campanhas de pesquisa mineral na Amazônia. Em uma das salas do museu estava exposto um preservado “esmeril da França”, máquina constituída de uma pedra de alta dureza e utilizada para desbastar, afiar e polir materiais.

Existiam citações jocosas, comuns nas equipes de prospectores, aplicadas para provocar colegas que preparavam um avantajado prato nas refeições ou que demoravam um pouco mais para se levantar da rede. Em outras palavras, as expressões brincavam com a ideia de que o colega gostava mais de comida e de rede de dormir do que do facão ou martelo. Memorizei e repasso três das frases mais utilizadas:

“Para comer, um Leão, mas para trabalhar, só no Empurrão”.

“Para trabalhar, uma Criança, mas para comer, um Esmeril da França”.

Levanta, Peão! O urubu que não deve nada a ninguém já tá voando, e você, que deve a Deus e o mundo, ainda tá no “pano” (rede).

Publicado em Blog Caca Medeiros Filho
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Licença da foto
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Descrição: Foto do Museu Histórico e Geográfico de Campina Grande, Brasil.
Data: 22 de julho de 2006
Autor: Bruno Coutinho Araújo