Reflexão sobre a água subterrânea: o que não estamos vendo – Natalina Cabral

Hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente, vale lembrar que a proteção ambiental não está apenas nas florestas, rios e mares que conseguimos ver. Uma parte essencial da nossa segurança hídrica está abaixo dos nossos pés: a água subterrânea.

No Rio Grande do Norte, o Aquífero Barreiras é especialmente importante para o litoral leste, principalmente para Natal, Parnamirim e outros municípios da faixa costeira oriental. Ele abastece grande parte da população e sustenta atividades urbanas importantes.

Mas ele também sofre pressão com o crescimento das cidades, a impermeabilização do solo, a concentração de poços, a retirada intensa de água e os riscos de contaminação, especialmente onde o saneamento ainda é insuficiente.

O problema da água subterrânea é que, por estar escondida, muitas vezes só percebemos sua importância quando a crise já está instalada. Em Natal, os estudos apontam situação de alerta, com uso acima do recurso recomendado. Em Parnamirim, ainda há saldo positivo, mas com margem reduzida. Isso mostra que não dá para tratar a água subterrânea como recurso infinito.

E essa preocupação não se limita ao Barreiras. No interior do estado, aquíferos como o Açu e o Jandaíra também têm grande importância para o abastecimento e para as atividades produtivas, e precisam de atenção quanto ao uso, à proteção das áreas de recarga, à qualidade da água e ao controle das captações.

Cuidar do meio ambiente também é proteger os aquíferos, monitorar a qualidade da água, controlar novas captações, atualizar o cadastro de poços e planejar melhor o uso do solo.

Preservar a água subterrânea é preservar a saúde pública, a segurança hídrica e o futuro do Rio Grande do Norte. A água que não vemos também precisa ser defendida.