Existe uma unanimidade entre os geólogos potiguares. De maneira inquestionável, essa categoria profissional considera a expressiva importância de Edgar Ramalho Dantas no desenvolvimento técnico e histórico da geologia do Rio Grande do Norte. A notável cultura do geólogo e professor Edgar, que não se resume as geociências, se associa ao humanista sempre disposto a dialogar e nos ensinar sobre os mais variados assuntos.
Ressaltando uma sua característica particular, eu opino, com total segurança, que o Professor Edgar é a personalidade mais capacitada em historiar a evolução da paisagem da praia de Ponta Negra. Além da sua cultura geomorfológica e sua memória privilegiada, Edgar convive desde criança com Ponta Negra, sendo o ano de 1950 seu marco inicial como veranista, ano que sua avó materna, Letícia, completava 50 anos.
Em conversa recente, o Professor me ensina que, em 1950, Ponta Negra dispunha de onze rede de três malhos, as famosas grandes redes de arrastão. Essas redes traziam à terra quantidades substanciais de tainhas, xaréus, bonitos e espadas. Haviam, como lembra Edgar, os mestres que do alto das dunas frontais (hoje totalmente destruídas) identificavam e orientavam o cerco aos peixes.
Curiosamente o Professor recorda que os pescadores ofereciam, de graça, aos veranistas enormes lagostas que na maioria dos casos, eram recusadas por serem “carregadas”. Completava-se a fartura com “peixes de primeira” trazidos do alto mar, como cioba, cavala, guaiuba, alvacora, dentão, etc. Havia, ainda e sempre, grande quantidade de manjubas secas ao sol e pescadas por mangotes no entorno dos currais.
Ontem, o Professor me enviou a letra do samba-canção de Dosinho denominado “Ponta Negra”. Lembro-me de ouvir essa música, em casa, quando menino. Dela só me recordava as primeiras verdadeiras palavras: “Ponta Negra, praia linda…”.
A bela visão poética do grande compositor potiguar, pode, em alguns versos, ser interpretada, hoje, como uma previsão da decadente e infeliz evolução de Ponta Negra, especialmente pós engorda. Seleciono, por exemplo, o primeiro verso “Ponta Negra, praia linda e bem tristonha…” e mais adiante cito o verso: “tuas ondas portadoras de saudade…” e finalmente: “Ai se não fosse a tristeza / Que Ponta Negra tem / a filha da natureza / Prá todos seria um bem”
Complemento com os versos de Waldick Soriano já citados em outra crônica: “Quem foi? / Quem foi que fez você ficar tão diferente, amor? / Você mudou demais / Você não era assim.